De repente você cansa.
Cansa das músicas que sempre ouviu, das pessoas que te cercam, das roupas no armário, das ruas em que anda.
Cansa do jeito que penteia o cabelo, do jeito que levanta da cama todos os dias e das palavras que escolhe para não dizer o que realmente gostaria de dizer.
Cansa de procurar beleza onde beleza não há e até mesmo de desculpar.
Cansa de tentar fazer os outros enxergarem que seus pesadelos são apenas uma ponte rumo ao nada e não uma encruzilhada.
Cansa de ofertar o verão que queima nos olhos e de ostentar indiferença e cansa, sobretudo, de tentar fazer a diferença.
Cansa de tentar fazer o certo o tempo todo e de se perdoar quando faz o errado.
Cansa pelo drama do amigo distante, cansa pelas lamentações do amigo ao lado.
E por mais que você corte o cabelo, compre roupas novas, faça uma viagem, leia sobre assuntos inimagináveis, transe debaixo de uma ponte, faça uma tatuagem, coloque um piercing, delete amigos do seu Facebook, Twitter, Orkut e do seu convívio social, esse cansaço não passa.
Porque no fundo você não está cansado do mundo, mas da maneira como reage a ele.
Da maneira como reage a uma pedrada, a uma flor, a um menino de rua, a ausência da lua em suas noites cheias.
Não é difícil aceitar as pessoas como elas são, difícil é mudar a maneira como reagimos a elas.
Não é aceitar a vida como ela é que cansa, mas sim a dança que fazemos para nos esquivar de tudo aquilo que não entendemos ou sentimos medo.
Sei não, mas talvez o poeta tenha razão quando diz que ‘o que cansa, mesmo, é a insegurança’…
Porque só repete o mesmo padrão de comportamento/emoção, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, quem precisa da pseudo-segurança que ‘o habitual’ carrega no ventre.
Ultimamente tenho optado pela mudança. Não a mudança que alcança os olhos, como um corte de cabelo, mas a mudança que me faz dormir contente por ter agido diferente.
Ela cansa tanto quanto, mas pelo menos me faz sentir que estou viva e não apenas vivendo os dias.

Mônica Montone