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“E alguns reagem como se você os tivesse abandonado no meio de uma viagem…”

“E, no meio de tantas mudanças, muitas rupturas. Algumas coisas foram encaminhadas pro novo destino, outras se perderam irremediavelmente. O que sobrou posso contar nos dedos, antes eu mal conseguia fechar as gavetas_ tão abarrotadas de coisas, pessoas, lembranças. Mas o que houve afinal, além de um processo íntimo, pessoal, intransferível? Uma mudança externa também, porque há sempre um desconforto em quem se acostuma com o nosso comportamento mais antigo. E além de lidar com o luto da morte do que éramos, ainda o estranhamento dos que não aceitam o que nos tornamos. Porque mudam os gostos, a disposição e os planos. E alguns reagem como se você os tivesse abandonado no meio de uma viagem a dois por outro continente, quando só você sabia falar a língua local mesmo que os impedisse de aprender o idioma .”

Marla de Queiroz

ainda há reticências

“Há que haver gratidão pela lição que vem do que não pode ser mudado.”
Marla de Queiroz

no meio do caminho tinha um menino

“… Ela jurou um dia pra si mesma, e quem jura não descumpre promessa. Mas tinha um menino no meio do caminho, no meio do caminho tinha um menino e sem se dar conta à primeira vista, ela parou.”

Rani G.

Muita coisa importante falta nome.

Apanhe todos os pedaços que você perdeu nessas andanças e venha.

Porque eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta

“… Acertei o caminho não porque segui as setas, mas porque desrespeitei todas as placas de aviso. Porque eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. É quase como não pensar. Simplesmente, sentimos uma ligação profunda com tudo, um denso bem-estar. Como se tivéssemos uma secreta intimidade com o mundo, certa cumplicidade com o tempo. Como se o coração batesse pelo corpo todo, mas sem extremada euforia. Uma tranqüilidade dilatada no peito, o olhar satisfeito, a mente entendendo que já nem precisa entender o que é prosa ou poesia. E o mundo inteiro cabendo num abraço. E uma firmeza na carícia, a maturidade que perdeu o cansaço, uma confiança que preenche a existência. E o tempo do dia não é mais composto por esperas, ele é vivido. E já não se fala, palavras passeiam pela boca. E já não se escreve, as frases coreografam as paisagens. E já não se ama, o amor vigora em nós. E o chão do sonho é macio, e tudo parece estar alinhavado, numa ligação sem sufocamentos. E você tem todas as coisas sem precisar tomar posse delas. Você ama o amor, não o delírio de estar apaixonado. É quase uma perda de outros apetites, porque se está tão nutrido… E a gente tem aquela vontade súbita de andar pela noite: não apenas para olhar as estrelas, mas também para por elas sermos vistos.”

“Com o tempo, você analisa que abrir mão de algo muito importante, só se faz quando se tem um motivo maior que esse algo: seja um propósito, uma crença, um valor íntimo, uma obstinação qualquer que te oriente para essa escolha. É um sacrifício voluntário por algo mais pleno, mais grandioso em Beleza. E, nestas análises, você descobre outras perdas que são positivas: perde-se também a ansiedade, a insegurança e a ilusão. E você aprende a recomeçar agradecendo por vitórias tão pequenininhas… Como quando é noite e antes de dormir você se enche de gratidão: ‘Deus, obrigada! Que venha um sonho novo, então’.”
Por Marla de Queiroz

E devo dizer que estou muito feliz por não encontrar o caminho de volta.

“Olha, eu acho mesmo é que falta coragem. E tempo. Tempo de olhar em volta e coragem de bater de frente. Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva sem se preocupar com o celular no bolso, os cartões do banco, a chapinha, o sapato que não pode molhar? As pessoas têm que se permitir. Aprender o atraso, o olhar em volta. Mudar o caminho de todos os dias e se perder no seu próprio bairro. É o que tenho feito, me perder. E devo dizer que estou muito feliz por não encontrar o caminho de volta.”

Verônica Heiss

Alguém pode dizer se estava prevista na palma da minha mão? Se estava já escrita e demarcada na linha da minha vida? Se fazia já parte da estrada e tinha de ser vivida?

 
 
 
 
Porque fugir é instintivo, e é biologicamente tão mais fácil e provável.
Ficar é escolha.
 
Que haja amor e menos covardia nas nossas escolhas…

Senhor, escutai as nossas preces. Amém.
 
 

Cecília Braga
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